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Terça-feira, Julho 19, 2005

Guerra dos Mundos

Estimadas cidadãs e cidadãos desta enorme nave espacial que nos acolhe por este universo agressivo e hostil, venho por este meio informar que todos aqueles filmes de terror alienígena de classe B onde o clássico ser outsider mau como as cobras substitui pouco a pouco os frágeis humanos, excepto algum anti-herói que come cebolas ao pequeno-almoço, não é ficção. No entender de especialistas humanos, esses seres limitam-se apenas à permuta dentro da comunicação social, vulgo media, tendo assim, graças à enorme influência destes, o controlo de todos vós – pois já são poucos aqueles que ainda têm neurónios funcionais, críticos e desobedientes. Ou ainda acham que a boca da Manuela é terráquea? A informação que por dela sai é tudo menos jornalística, i. e., imparcial e sem opinião. E como este ser há tantos outros, como a apresentadora do Prós&Contras que apenas deixa falar burgessos deixando o bom da humanidade calado, como o sucedido no passado dia 12.
Cientistas mais arrojados vão ainda mais longe. A assembleia da república – sim, em letras pequenas, pois quem lá habita (no sentido literal da palavra) há muito que deixou de ter o meu respeito – é o maior antro de baratas do cosmos (que ofensa às baratas, credo!) onde se pode fazer uma enciclopédia de frases feitas, cegas, sem sentido crítico e pseudo-intelectualóides populares do há muito classificado estilo “areia para os olhos, não esquecendo os meus boys” – método preferido dos seres irmãos dos Arkeides, ditos socialistas oriundos da galáxia rosa –, ou ainda do “tapa o sol com a peneira” proveniente da longínqua galáxia “três setas” (raça irmã dos Cylon para quem não sabe), contrastando assim com a retórica parlamentar do século XIX, que “era fantástica, absolutamente prodigiosa, e de qualidade literária.”
Sendo assim, quando alguém perguntar: “Jornalistas? O que é feito dos jornalistas?” Respondam: “Foram raptados e substituídos por comentadores!”
“Deputados? O que é feito dos deputados?”, “Foram raptados e substituídos por altos funcionários do Ministério da Verdade de Oceânia (1984).”